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BMG alega ter 35% dos direitos de Cacá, do Cruzeiro; Gilvan afirma que venda só pode ter sido realizada na gestão de Wagner, que nega

Zagueiro, de 20 anos, é um dos principais ativos do clube celeste

postado em 04/01/2020 16:09 / atualizado em 04/01/2020 17:03

(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)
Um dos principais ativos do Cruzeiro, o zagueiro Cacá, de 20 anos, é pivô, nos bastidores, de um debate sobre divisão de percentuais. Embora o clube garanta ter 70% do ‘passe’ em lista divulgada no último balanço patrimonial, o fundo de investimentos controlado pelo Banco BMG alega ter adquirido 35% dos direitos econômicos do defensor. Clube formador de Cacá, o Ubaense tem direito a outros 30% - reconhecidos pela Raposa.

A reportagem apurou que a divisão dos direitos econômicos de Cacá é uma das grandes preocupações de membros do Núcleo Dirigente Transitório, que assumiu a gestão do Cruzeiro após as renúncias do ex-presidente Wagner Pires de Sá e de seus vices, Hermínio Lemos e Ronaldo Granata. 

Ao Superesportes, Hissa Elias Moisés, responsável pelas relações esportivas do fundo de investimentos controlado pelo BMG, garantiu que o grupo é dono de parte dos direitos da promessa. “Temos 35% dos direitos econômicos do Cacá. Foram adquiridos há muitos anos. Como não estou em Belo Horizonte, não tenho como te precisar que data foi isso”, disse.

Questionado se foi durante a gestão de Gilvan de Pinho Tavares, Hissa respondeu de forma afirmativa. “Sim, ainda durante a gestão dele (Gilvan)”. Apesar disso, o ex-presidente garante que Hissa “está mentindo” e afirma que a negociação só poderia ter sido feita na gestão de Wagner Pires de Sá. Ele apontou relações do dirigente do BMG com Itair Machado, ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro.

“A mesma pessoa que formou o Alisson (hoje no Grêmio), levou o Cacá para o Cruzeiro e ficou com um percentual de 30%. É a única coisa que existe. Se depois a nova direção, na administração do Wagner, fez alguma trapalhada, eu não sei. O Hyssa é do BMG, Itair do BMG, eles podem ter feito alguma coisa. O que o Itair pôde fazer para atrapalhar o Cruzeiro, ele fez”, rebateu Gilvan.

Na minha gestão, não aconteceu venda nenhuma (de direitos do Cacá) para o BMG. Que mostrem os documentos, os contratos. Na nossa época, nunca ficávamos com menos de 70% de jogador. Eles devem ter feito alguma coisa para passar para o BMG”, acusou o ex-presidente do Cruzeiro, que deixou o clube no fim de 2017. 

Procurado, Wagner Pires de Sá deu sua versão. “O Cacá foi promovido ao elenco profissional do Cruzeiro ainda quando o Gilvan era presidente do Cruzeiro (na verdade, o zagueiro passou a treinar com os profissionais em março de 2018, três meses após Wagner assumir). Ou seja, ele veio já da gestão passada. Não fizemos nenhum acordo de compra ou de venda do Cacá, até porque é proibido vender direitos econômicos de jogadores. Pessoas físicas ou jurídicas não podem ser proprietárias de jogador”, afirmou.

De fato, a compra de direitos econômicos por terceiros é proibida pela Fifa desde 1º de maio de 2015, quando Cacá tinha 16 anos. Apesar disso, o fundo de investimentos do BMG auxilia clubes parceiros na aquisição de jogadores. No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o grupo fez aporte de cerca de R$ 10 milhões para o Cruzeiro comprar os direitos econômicos do atacante David. Vale lembrar, também, que o BMG é dono do Coimbra, clube que disputará a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro em 2020.

Citado por Gilvan de Pinho Tavares, o ex-vice de futebol, Itair Machado, não foi encontrado até a última atualização desta reportagem.  

Cacá quer seguir no Cruzeiro 

Apesar do rebaixamento do Cruzeiro à Série B do Campeonato Brasileiro, o objetivo de Cacá é permanecer no Cruzeiro. À reportagem, no último dia 28, o empresário do zagueiro, Nenê Zini, afirmou que o camisa 14 quer “ajudar a recolocar o Cruzeiro em seu lugar”. Ele desconversou sobre possíveis ofertas de mercados internacional ou nacional. 

Antes disso, Cacá já havia descartado entrar na Justiça para receber os vencimentos atrasados, como fizeram Fabrício Bruno e Thiago Neves. A Raposa está em débito com duas folhas de pagamento, além do 13º salário. “O Cruzeiro é minha casa desde os 15 anos, amo este clube desde criança e, se algum dia eu sair, vai ser algo bom para todos!”, escreveu. 

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