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Cruzeiro: Sérgio fala em redução de despesas, dívidas na Fifa e mira acesso

Sérgio Santos Rodrigues ainda criticou ex-dirigentes do clube

postado em 15/02/2021 11:45 / atualizado em 15/02/2021 20:23

(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)

O presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, disse em entrevista ao jornal O Globo que o clube reduzirá ainda mais as despesas nesta temporada e demonstrou preocupação com dívidas na Fifa que devem ser cobradas ainda no primeiro semestre deste ano. Em relação ao projeto esportivo, o dirigente frisou que a "meta na Série B é subir. Não precisa ser campeão".

"Vamos ter (redução de despesas), sim. Há várias renegociações sendo feitas. Isso passa por tudo. O Cruzeiro tinha coisas bobas. Fui fazer uma viagem com o time, mas acabei não indo com a delegação. “Ah, vamos pegar um carro para o presidente”. Quanto é isso? “R$ 500 por dia”. Falei que pegaria um Uber do aeroporto para o hotel e depois andaria com a delegação. Não precisava de carro. Tínhamos mais de 30 linhas de celulares para o Cruzeiro. Ponto de TV em cozinha que ninguém via", disse.



Em seu primeiro ano de mandato, Sérgio Rodrigues não conseguiu o acesso à elite do futebol nacional com o Cruzeiro. Mais do que nunca, o objetivo é o retorno à Série A do Campeonato Brasileiro.

"Evito ao máximo a futurologia. Se a gente pegar exemplos passados, cada um teve particularidade. O Atlético caiu em 2005 e foi ganhar título só em 2013. O Inter caiu num ano e no outro foi para a Libertadores. Quando o Cruzeiro vai ganhar um título? Pode ser este ano. Por que o Cruzeiro, no ano do centenário, não pode ganhar? Mas a gente trabalha com pé no chão. O objetivo é a Série A. Claro que eu quero ganhar. Mas não tenho obrigação. Na Copa do Brasil, vamos uma fase de cada vez. A meta na Série B é subir. Não precisa ser campeão", afirmou.

Fifa


De acordo com o presidente do Cruzeiro, duas novas dívidas na Fifa devem ser cobradas no primeiro semestre deste ano. "Tivemos basicamente R$ 40 milhões vencidos em 2020: R$ 34 milhões efetivamente pagos e o resto parcelamos, as do Tigres e do Del Valle. Temos mais duas dívidas para vencer. Mas julgamento da Fifa você não sabe: na hora que acaba, eles mandam prazo para pagar em até 90 dias. Vindo, a gente tem que se preparar para elas. Acredito que no primeiro semestre ainda venham mais duas. É difícil dizer que estamos separando dinheiro para elas porque há diversas outras prioridades".

Desde quando iniciou a gestão, em 1º de junho, Sérgio Rodrigues anunciou acordo para pagar parcelado o Tigres, do México, pela contratação de Rafael Sobis, e o Independiente del Valle, do Equador, por Kunty Caicedo. Também quitou débitos com o Spartak Moscou, da Rússia, pelo empréstimo de Pedro Rocha; com o FC Zorya, da Ucrânia, por Willian; com o atacante Ramon Ábila, hoje no Boca Juniors-ARG; e com a comissão técnica do português Paulo Bento, que comandou a Raposa em 2016.

Outros processos estão em andamento, como o do Defensor, do Uruguai, pelo meia Arrascaeta (R$ 7,3 milhões); do Mazatlán FC, do México, pelo atacante Riascos (mais de R$ 6 milhões); e do Pyramids, do Egito, pelo armador Rodriguinho (R$ 16,2 milhões).


Dívida


Com acordos feitos na Justiça, o presidente celeste acredita que a dívida da Raposa caiu de R$ 1 bilhão para cerca de R$ 800 milhões. "Em números absolutos, a dívida tributária caiu R$ 170 milhões. Teve acordo com Fred, R$ 50 milhões. Dodô e Marquinhos Gabriel, somados, uns R$ 10 milhões. A gente estima que a nossa gestão, entre negociações e dívidas pagas, bateu R$ 250 milhões a menos. O Cruzeiro vai estar melhor em balanço do que muito time da Série A. Vamos reduzir custos e endividamento geral. Sobre a dívida, muitos acordos que fizemos foram no último trimestre. Então, na parcial que a gente soltou, eles não tinham saído ainda e aí a dívida estava na casa do bilhão. Quando publicarmos os acordos todos, creio que vamos fechar com uns R$ 800 milhões de dívida".

Gilvan de Pinho Tavares


Sérgio ainda criticou o ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares. "O Gilvan (Tavares) ganhou dois títulos brasileiros e uma Copa do Brasil. Hoje, das dívidas na Fifa que a gente tem, 90% foram contraídas na gestão dele. Me perguntaram: o que precisa fazer para esse tipo de dirigente ser evitado? Eu falei: a torcida parar de aplaudir o errado que dá certo. Eu não tive o acesso. Me xingaram, não vendo o que aconteceu para trás".

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