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'Xodó da vovó', Rafael Miranda, ex-Atlético, anuncia aposentadoria aos 34 anos

Volante revelado na base do Galo anunciou em rede social que deixará o futebol

postado em 04/09/2018 14:28 / atualizado em 04/09/2018 14:47

Renato Weil/EM/D. A. Press
Quem acompanhou o futebol mineiro na primeira década dos anos 2000 certamente se lembrará de Rafael Miranda que, durante seis anos foi o dono da camisa 5 do Atlético. Revelado nas categorias de base do clube, o volante anunciou, nesta segunda-feira, que irá deixar o futebol profissional.


Em seu Instagram, Rafael postou uma montagem com fotos suas vestindo as camisas dos vários clubes que defendeu, dando destaque para o Atlético, com a seguinte legenda:


"Chegou a hora da despedida! Obrigado, Deus, pela oportunidade de jogar futebol. Agradecimento especial ao Galo, meu clube do coração, onde fiquei dos 8 aos 24 anos. Foi onde construí minha carreira e sou muito grato a todos. Um torcedor de arquibancada que teve a honra de vestir essa camisa durante cinco anos como profissional. Obrigado também aos demais clubes: Atlético Paranaense, Marítimo, Bahia, ABC, Ferroviária e Vitória SC (Guimarães). Nos dois clubes portugueses, tive a oportunidade de disputar as competições da Uefa, o que era um sonho de criança. Entre Brasil e Portugal, foram 482 jogos como profissional e 19 gols (pode acreditar!). Quero deixar aqui o meu obrigado a todos esses clubes, seus dirigentes e torcedores, que na grande maioria das vezes me passou muito apoio e carinho. Saio do futebol, mas levo muitos amigos comigo. Obrigado, boleirada! Obrigado, família! Obrigado, amigos! Agora é hora de buscar novos ares!"



Rafael falou ao Superesportes sobre os motivos de pendurar as chuteiras 'cedo', aos 34 anos de idade. "Cedo é meio relativo. Isso não tem muita regra. Tem jogador que para com 30, outros com 40. No meu caso foram dois motivos. Tenho uma contusão óssea no tornozelo direito, que virou crônica e me limita treinar. Já não consigo mais atuar do jeito que gostaria. Outra coisa é que minha motivação, meu prazer de estar em campo, há alguns anos se perdeu. Fazer somente pelo dinheiro, se perde a razão. Lógico que o dinheiro é fundamental, mas não é o principal."


Carreira

Rafael Miranda começou no Atlético em 1993, aos 8 anos, na equipe de futsal. Em 1995, o jogador passou também para o campo, atuando como zagueiro. Posteriormente, por intervenção de Marcelo Oliveira, então técnico da base alvinegra, Rafael passou a jogar como volante. E foi como meio-campista que se firmou como profissional.

A estreia de Rafael na equipe principal do Atlético foi em março de 2003, num empate por 0 a 0 com o Guarani, pelo Campeonato Mineiro, com o técnico Celso Roth. 
O jogador fez parte da campanha do Atlético na Série B de 2006, quando o clube retornou à Primeira Divisão, após ter caído em 2005.

O volante conta que, com a camisa do Galo, sua principal lembrança foi o tempo que viveu no clube e as amizades que fez. 
"Foram mais de 15 anos no Galo. Lá eu conhecia do presidente ao porteiro, o pessoal da limpeza, da cozinha. Nunca tive isso igual em outros clubes. Os amigos que eu fiz na base... Ganhar ou perder acontece em qualquer time. Mas o que eu levo do Galo foram os relacionamentos", disse.

 

Agora como ex-atleta, Rafael afirma que, pelo menos por enquanto, não pretende seguir carreira no futebol. "Minha ideia, no momento, é me afastar do futebol. Posso mudar meu pensamento no futuro, mas agora não é o momento. Foram mais de 25 anos no futebol. Agora só quero assistir. Se voltar um dia, quero voltar com energia total", projeta o ex-camisa 5.

E agora como espectador de futebol, Rafael falou do momento atual da equipe atleticana: "O Galo tem oscilado. Não tenho acesso ao dia-a-dia do clube, falo apenas como torcedor. Gosto das idéias do técnico Thiago Larghi. Parece ser um cara inteligente, com uma leitura de jogo interessante. Torço para que continue brigando pelo título, mas acho muito difícil".

Jair AmaralEM/D. A. Press

Durante a temporada de 2006, Rafael foi apelidado pelo narrador Willy Gonzer, narrador da Rádio Itatiaia de ‘Xodó da vovó’, nome que a torcida atleticana abraçou. A história começou depois que o então jogador recebeu, de surpresa, a visita de dona Helena, sua avó, no centro de treinamento.

Na ocasião, dona Helena deu entrevista para a Rede Globo e pediu ao neto que marcasse um gol. Coincidência ou não, no dia seguinte, Rafael Miranda balançou as redes pela primeira vez com a camisa do Galo, na vitória por 3 a 0 sobre o Paysandu, pela Série B do Brasileirão.

"Meu tio a levou ao CT. Eu nem sabia. Quando cheguei, ela já estava na sala de imprensa, pedindo ao (técnico) Levir Culpi pra deixar eu fazer um gol. Ela gosta dessas brincadeiras. No dia seguinte eu fiz. E na narração o Willy Gonzer lembrou da reportagem e lançou o ‘Xodó da vovó’. Não quero cometer nenhuma injustiça, mas lembro que foi ele que falou pela primeira vez", rememorou Rafael.

Dona Helena, hoje, com 91 anos, ainda acompanha a carreira do neto pela televisão e continua cobrando que Rafael faça gols. Depois de 153 partidas vestindo a camisa do Galo – com a peculiaridade de nunca ter sido expulso – o volante deixou clube em 2009 e se transferiu para o Atlético-PR, onde ficou até o ano seguinte.

O atleta ainda defendeu Bahia, ABC, Ferroviária e também jogou na Europa, por Marítimo e Vitória de Guimarães, ambos de Portugal.

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