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Vida, histórias e bastidores: 'spoilers' do livro que Victor citou no adeus

Ídolo do Atlético terá a trajetória contada por torcedor alvinegro

postado em 03/03/2021 06:00 / atualizado em 02/03/2021 18:56

(Foto: Pedro Souza/Atlético)
Em 21 de janeiro de 1983, nascia, na pequena Santo Anastácio, Victor Leandro Bagy. À época, mal sabiam os pais que, 30 anos mais tarde, aquele bebê carregaria, junto ao seu nome, parte da cidade onde nasceu e se tornaria “santo” para milhões de “devotos”. Aquele garoto introspectivo cresceu, mas manteve a serenidade na vida e no campo. Frio, operou “milagres” que o fizeram ser "canonizado", em uma história de glórias concluída no último domingo e que, agora, vai virar livro.


O ‘adeus’ aos gramados não foi uma despedida do futebol. Victor está eternizado na galeria dos imortais - como são as criaturas divinas - do Clube Atlético Mineiro. Sem as luvas e o uniforme de jogo, assumiu o traje social para seguir no vestiário, espaço que conhece tão bem. Agora, como gerente de futebol.

Com as lágrimas secas, o maior goleiro da centenária história alvinegra revelou, nos últimos minutos da entrevista coletiva de despedida, que terá a trajetória contada por um atleticano. “Escrevendo um livro aí… Espero que tenha muitas boas histórias para contar e apresentar aos que apreciam meu trabalho. Dei um spoiler… (risos)”, disse, no domingo.

O responsável por transformar em palavras 38 anos de vida, conquistas, decepções e idolatria será Roberto Marques, o Betinho. “Eu não tenho data (de lançamento), mas, de alguma forma, ao dar esse spoiler, ele me pressiona a terminar (risos)”, conta, em entrevista ao Superesportes.

A obra está em processo de produção e ainda não tem nome, capa e editora definidos. A ideia do autor - que já publicou um livro sobre Zé do Monte, outro ídolo atleticano - é contar a história de Victor a partir de relatos do próprio ex-goleiro e de quem o acompanhou desde a infância no interior de São Paulo.

“Já tem um tempo que eu combinei com o Victor e o empresário dele. A gente acordou de contar um pouco a história dele desde que começou a jogar bola, dos tempos de Paulista. Tem muita história. Fui à cidade dele de carro, conheci o pai e a mãe. Conversei com gente que conviveu com ele, com professores, com gente que jogou bola com ele, amigos... Tem muita coisa para contar”, diz.

Páginas perdidas


(Foto: Pedro Souza/Atlético)

A viagem até Santo Anastácio foi em janeiro de 2017. De lá para cá, capítulos da trajetória de Victor foram escritos - na vida real, pelo ex-jogador, e no papel, pelo autor. Muitas das páginas construídas pelo torcedor ao longo dos últimos anos, no entanto, têm paradeiro desconhecido.

“Quebraram o meu carro, levaram pertences importantes, fotos que eu tinha do meu filho na infância. E levaram também o notebook que tinha mais de 50% do livro escrito. Estou reescrevendo. Anoto em vários lugares, foi um trauma danado. Escrevo no caderno, no Google Drive, mando por e-mail e vou documentando. As coisas estão caminhando”, relembra, já de forma serena, o torcedor do Atlético.

Histórias


“A ideia é contar a história dele mesmo, como pessoa. Ele já tem livros sobre o dia do ‘Milagre do Horto’, essas coisas todas. Quero contar a trajetória. É basicamente uma biografia”, afirmou Betinho, que adiantou algumas das histórias que estarão no livro, cujo prefácio deverá ser assinado pelo próprio Victor.

“Um fato interessante é que ele estava para ser dispensado no Paulista porque não estava pegando pênalti. Aí o treinador de goleiros foi fazer uma análise, que virou um artigo para a faculdade. Na capa dessa tese, tem o goleiro pegando um pênalti com o pé”, conta, em menção à defesa da canhota de Victor contra o Tijuana, em 30 de maio de 2013, data da “canonização”.


As histórias vão desde a primeira luva - presenteada pela avó - e a estreia como profissional diante do Palmeiras até a ascensão no Grêmio e o brilho no Atlético. A chegada ao clube alvinegro, em 29 de junho de 2012, será contada por um personagem simbólico: o ex-presidente Alexandre Kalil.

“Eu sou foda para montar uma boa equipe, sei colocar cada um no seu lugar [...] Presidente não sobrevive sem goleiro ou centroavante. Eu busquei o Victor, numa confusão que é difícil de explicar. Victor: eu busquei”, contou, ao autor do livro, o atual prefeito de Belo Horizonte.


No Atlético, o goleiro realizou o sonho de disputar a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Mas pouca gente sabe que, quatro anos antes, quando ainda defendia o Grêmio, viu os 20 mil habitantes da cidade-natal se frustrarem com a convocação que não veio. “Vou contar a história da Copa de 2014 e a Copa anterior, em que fizeram uma festa porque ele ia ser convocado, mas não foi e gerou uma frustração em Santo Anastácio…”, diz Betinho.

A intenção do autor é que o livro tenha também um espaço para que Victor conte a própria visão sobre tudo o que viveu. Só no Atlético, foram quase nove anos, 424 jogos, oito títulos e a idolatria de milhões.

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