Atlético
1

ATLÉTICO

Criador da 'Netflix da Arena MRV' diz que canal o ajudou a vencer depressão

Página no Youtube voltada às obras do estádio do Atlético tem cerca de 24 mil inscritos e mais de 12 milhões de visualizações

postado em 30/07/2021 07:00 / atualizado em 01/08/2021 13:45

(Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)


Quando não aguentava mais o porre do trabalho e as agruras da vida, Tyrone Menezes, de 43 anos, pediu uma dose dupla de Galo. Embebedar-se de Clube Atlético Mineiro foi a saída para o analista de sistema, que enfrentava um momento difícil. O mineiro de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, que hoje reside em Contagem, decidiu criar a 'Netflix da Arena MRV', como seu canal no Youtube ficou conhecido, e, posteriormente, um podcast. Foi uma forma de distrair a cabeça e amenizar a tensão deste mundo gasoso. Hoje, o 'Tyrone FPV' tem cerca de 24 mil inscritos e mais de 12 milhões de visualizações. Ele filma a construção do estádio alvinegro no bairro Califórnia, região Noroeste da capital, com drones, edita e posta os vídeos diariamente.

"Tenho vários drones e tenho nas imagens aéreas um dos meus hobbys, tanto pilotando drones de corrida quanto drones para imagens aéreas. São meus brinquedos desde 2014. Quando a pandemia exigiu que eu fosse trabalhar no home office, consegui um tempo para realizar as filmagens aéreas nas obras da Arena MRV. Eu ficava no deslocamento para o trabalho cerca de 1h30 no trânsito pela manhã e 1h30 no trânsito na volta pra casa. Decidi realizar as filmagens para o acompanhamento diário nesse período de tempo. Antes, filmava logo cedo pela manhã e ia para o trabalho remoto normalmente. De certa forma, filmar a Arena me livrou de um processo de depressão que estava vivendo naquele momento. Mas a iniciativa partiu do princípio de dar uma pegada mais informal e democratizar a geração das imagens da obra, de torcedor para torcedor", disse o torcedor.

Depressão é uma doença e precisa de tratamento médico!


O canal virou um sucesso entre os atleticanos. Quase todos os vídeos têm mais de dois mil acessos, chegando a picos de 97 mil.  Hoje, ele se dedica integralmente ao projeto. "Eu estava infeliz no trabalho, filmar as obras da Arena MRV me deu energia, um reconhecimento e o abraço e apoio da torcida. O que era pra mim um hobby tomou proporções gigantescas. Nunca imaginei que teria mil inscritos no canal e hoje já me aproximo dos 25 mil inscritos no Youtube. Com esse crescimento, o canal tomou boa parte do meu foco e virou o meu plano B durante a crise. Com a pandemia, meu vínculo com a empresa em que trabalhava terminou e pude focar 100% no canal. Tenho muitos hobbies, mas todos estavam encostados, e ter algo com o que focar nos momentos difíceis pode te ajudar a enfrentar esses momentos difíceis".

Tyrone Menezes diz que o canal virou oportunidade de atleticanos que não podem ir ao local da construção acompanhar o andamento da obra. "A turma curte bastante. Virou a "Netflix" de quem não pode visitar regularmente a obra, e para o torcedor do interior ou até mesmo de fora do país ter a oportunidade de acompanhar a obra de casa, mesmo em um momento de pandemia. Começou de atleticano para atleticano, como um bordão que uso nos vídeos, mas acabou virando conteúdo para outras torcidas, para estudantes de engenharia, ou gente que apenas gosta de acompanhar obras. Cruzeirenses também assistem ao canal, por incrível que pareça. E soube que algumas das empreiteiras da obra também utilizam o nosso material para reuniões e acompanhamentos. Isso é gratificante", afirmou.
(Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)

Por postar vídeo diariamente, o canal de Tyrone Menezes tem mais atualizações e novidades da obra do que as redes do Atlético e da Arena MRV. Ele afirma que não tem incentivos financeiros do clube e banca todos os custos do próprio bolso. "Nunca tivemos nenhum apoio oficial. De vez em quando, acompanhamos o Rubens Menin ou o Rafael Menin compartilhando algum dos meus vídeos no Twitter, mas de maneira pessoal mesmo. Nada oficial. Mas são os torcedores, os verdadeiros apoiadores do nosso conteúdo. De alguma forma, os canais oficiais nos veem mais como concorrentes do que como parceiros em potencial".

Podcast


Com o sucesso do canal, Tyrone resolveu investir para manter a qualidade do trabalho. Para incrementar a cobertura, ele criou o podcast 'Papo de Obra', no qual já entrevistou Thiago SCAP, tatuador e autor de mosaicos; Rodrigo Raynner e Fael Lima, integrantes do Camisa 12; Betinho Marques e Silas Gouveia, do site Fala Galo; e Zeca Espora, influencer atleticano, entre outros.

"Mantenho o canal sozinho, alguns amigos me ajudam nos dias em que faço as entrevistas do podcast Papo de Obra, também lá no canal. Mas no começo tinha apenas os drones, mas sempre tentei prezar pela qualidade do que eu estava postando. Com o tempo a régua foi subindo e a exigência pela qualidade do material subiu junto com o sucesso do canal. Aí temos que investir no audiovisual, e em insumos para geração do conteúdo, como baterias, drone reservas", frisou.
(Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)

O projeto tem duração para ocorrer até o fim das obras, no ano que vem. "A repercussão da torcida foi enorme, e apoia a gente o tempo todo. Acredito que fazer um material não corporativo nos permite ter esse engajamento com o público mais simples e de maneira mais direta. O torcedor quer ver a poeira subir, e ai de nós se ficarmos um dia sem postar. O pessoal liga e cobra. Como não temos patrocinadores e o apoio oficial, o carinho do torcedor acaba sendo o maior incentivo para continuar. E iremos juntos até o fim da obra, e aí depois vou sentar nas arquibancadas e curtir o jogo junto da torcida".

Tyrone Menezes conta histórias curiosas sobre o início do canal. Em uma ida à Arena MRV chegou a ser parado pela Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG). A família via com desconfiança, mas hoje apoia o atleticano no projeto. "Hoje, minha família me apoia, mas no começo ficava preocupada com a minha segurança estando vulnerável nas ruas todos os dias, porque antes, no entorno da obra, haviam alguns locais ermos e perigosos. Logo no começo do canal, fui abordado pela PM enquanto realizava as filmagens e solicitaram a interrupção desse trabalho, pois era uma área privada. Minha mãe me ligou perguntando se eu estava correndo risco de ser preso. Mas isso ficou lá no passado, a torcida nos apoiou nas redes sociais e hoje a Arena MRV permite que possamos filmar com os drones por lá, desde que mantenhamos a segurança como foco nas nossas filmagens", disse.

Amor pelas bicicletas

(Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)


Fanático pelo Atlético, Tyrone já percorreu o mundo pedalando e levando a bandeira alvinegra. "Tive oportunidade de viajar pelo Brasil e por outros lugares sozinho, acompanhando no meio do nada, e sempre levando a bandeira do Galo nas minhas viagens, pela Patagônia, Islândia, Alaska. Uma das histórias de viagens mais surpreendentes foi ter viajado para a Islândia, cerca de 30 dias após a conquista da Libertadores de 2013. Mesmo nos confins da Islândia, as crianças reconheciam a bandeira do Galo por causa do Ronaldinho Gaúcho, o que mostra que as ações de marketing do clube podem alçá-lo a patamares ainda maiores. Hoje, vemos isso um pouco com o Hulk. Isso não pode acabar", contou.

Ídolos


Tyrone cresceu ouvindo muitos elogios a Luizinho. Éder e Marques também encantaram o criador da 'Netflix' da Arena MRV. "O meu ídolo de infância foi o Luizinho, que de tanto meu avô e padrasto elogiarem, aprendi a gostar, mesmo sendo tão criança, onde os encantos normalmente se revelam pelos atacantes e goleadores. Luizinho jogava de terno e não sujava o calção, era uma das frases que eu mais ouvia do meu avô. Gostava muito do Éder, mas acompanhei mais o fim da sua carreira. E nos tempos mais atuais, não tem como não lembrar do Marques como um dos meus maiores ídolos até hoje".

Tags: galo depressão Netflix Arena MRV Tyrone Menezes