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Oposição do Cruzeiro vê tentativa de Wagner de tumultuar, acredita em Assembleia 'nula de pleno direito' e questiona: 'Por que o medo?'

Presidente marcou evento para o mesmo dia de reunião que poderia afastá-lo

postado em 04/10/2019 12:57 / atualizado em 04/10/2019 14:17

<i>(Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)</i>

Líderes da oposição do Cruzeiro se reuniram, na manhã desta sexta-feira, para repercutir a convocação do presidente Wagner Pires de Sá. Ele marcou uma Assembleia Geral para a mesma data da Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo, que havia sido confirmada nessa quinta por Zezé Perrella.

Em nota, o grupo questionou a validade jurídica da Assembleia marcada por Wagner. Eles ressaltam que o mandatário já havia sido informado, na tarde de quinta, da data e pauta da reunião do Conselho. De acordo com a oposição, ele recebeu o edital e assinou seu recebimento ainda na quinta-feira.

Os oposicionistas afirmam ainda que a manobra de Pires de Sá, que seria “nula de pleno direito”, visa “tumultuar” o ambiente do clube. “Se é oposição que atrapalha, por que tumultuar o clube com outra reunião no mesmo dia, convocada posteriormente?”, questionam, antes de apontar um suposto medo do presidente com a votação de seu afastamento.

“Se o trabalho é bom, por que não submetê-lo ao crivo dos conselheiros, representantes de 9 milhões de torcedores? Por que o medo da votação?”, finaliza o grupo de oposição.

A corrente Pró-Cruzeiro Transparência, a principal de oposição no clube hoje, segue acreditando que o quórum da reunião marcada para as 19h do dia 21 de outubro (segunda-feira), no auditório do Hotel Dayrell, em Belo Horizonte, será maior do que a da Assembleia Geral, agendada para mesma data e horário. O grupo também está confiante de que terá a metade dos votos mais um para afastar Pires de Sá temporariamente de seu cargo no clube.

Procurada pela reportagem, a diretoria do Cruzeiro informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "tudo foi feito com sustenção do departamento jurídico, que está atento a todas as movimentações".

Veja, na íntegra, a nota distribuída pela oposição do Cruzeiro:


O Presidente do Cruzeiro convocou uma Assembleia Geral “na forma prevista no parágrafo 2º do art. 8º do Estatuto Social” do Cruzeiro Esporte Clube.

Eis a redação do artigo:

Art. 8º. A Assembleia Geral reunir-se-á:

II – extraordinariamente, para deliberar sobre as matérias previstas nos incisos II, III e IV do art. 6º

Parágrafo 1º. Somente poderá ser tratado na Assembleia Geral o assunto que ensejou a sua convocação, sendo nula qualquer deliberação estranha ao seu objeto.
 
Eis a redação do artigo 6º, ao qual foi feita remissão no art. 8º:

Art. 6º. Compete privativamente à Assembleia Geral:

II – destituir o Presidente ou os Vice-Presidentes do Cruzeiro Esporte Clube;
III – alterar o Estatuto;
IV – deliberar sobre a extinção da entidade.

Sendo assim, está claro que a Assembleia Geral convocada pelo Presidente só pode ser feita nas hipóteses acima, o que não é o caso da publicação de edital feita hoje, cujas matérias não estão no rol do artigo 6º.

Sendo assim, é nula de pleno direito a Assembleia, que mostra-se uma tentativa desesperada de esvaziar a legitima reunião convocada para afastamento da Diretoria.

Por fim, as perguntas:

1) Se é a “oposição” que atrapalha o clube, por que tumultuar o clube com outra reunião no mesmo dia, convocada posteriormente?

2) Se o trabalho é bom, por que não submetê-lo ao crivo dos Conselheiros, representantes de 9 milhões de torcedores? Por que o medo da votação?

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