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Com contas equilibradas, América mantém planos de se tornar clube-empresa para elevar receitas e competir em alto nível

Marcus Salum diz que escassez de recursos inviabiliza boas campanhas

postado em 06/06/2020 09:00 / atualizado em 05/06/2020 16:49

(Foto: Mourão Panda/América)
Diferentemente de Cruzeiro e Atlético, que vivem situação financeira delicada, o América mantém suas contas em dia. Em entrevista ao canal do jornalista Jorge Nicola no YouTube, o presidente Marcus Salum deu detalhes de como funciona o planejamento econômico do clube.

“O América é um clube equilibrado. É um dos clubes mais éticos e corretos do Brasil. Quando estamos na Série B, sempre temos um déficit de 7, 8, 10 milhões ao ano, que normalmente é equilibrado com vendas de jogadores. Quando você não vende, o orçamento fica na faixa de 25 a 30 milhões, com um custo de 35 a 40 milhões. Na Série A, vamos para 70 a 80 milhões, e normalmente dá um superávit, pois sempre economizamos um pouquinho”.

De acordo com Salum, cerca de 70% das dívidas do América são para pagamento em longo prazo por meio de programas de financiamento, como o Profut.

“O América hoje deve na ordem de 70 a 80 milhões no total, dos quais 70% é Profut e alguns impostos que serão incluídos agora. Então a dívida nominal do América é de 10 a 20 milhões. O resto é imposto parcelado. E temos um patrimônio monstruoso, que só aparece no balanço quando dá receita. O América tem investimentos e negócios que superam a dívida”.

Apesar de honrar os compromissos no período certo, o Coelho ainda não conseguiu se firmar na primeira divisão, sendo rebaixado nas três participações recentes na Série A - 2011, 2016 e 2018. Para Salum, o problema está na falta de recursos que viabilizem a montagem de um grupo mais forte.

“Hoje há sete times com orçamentos muito grandes e que sempre estão na ponta da tabela. Você tem ali mais quatro, cinco ou seis, que são clubes intermediários, com orçamento que dá para fazer um bom Campeonato Brasileiro. Abaixo disso há os clubes que vão lutar contra o rebaixamento. Essa é a história nos últimos dez anos. Se você olhar, sempre vai ter um grande escorregando para baixo e um pequeno subindo. É sempre igual”.

Em 2018, o América contabilizou receita líquida de R$ 56,6 milhões - quantia bastante inferior aos R$ 654 milhões do Palmeiras e aos R$ 538 milhões do Flamengo. Segundo Salum, a diferença abissal de orçamento é o principal problema encarado pelas agremiações de médio e pequeno porte.

“O que é o divisor de águas? O orçamento. Como um time médio para menor, com a divisão de cotas ainda do jeito que é, vai alcançar um orçamento de 300, 350, 400 milhões? E se não tiver torcedor, como alguns têm, vai poder competir sem ser para não cair? Se pegar a história do futebol brasileiro, vai ver que América, Paraná, Vitória, Avaí, Figueirense, Coritiba, Ceará e Fortaleza são times que estão entre subir e cair. A diferença orçamentária é grande demais”.

O presidente se recordou de 2018, quando perdeu em meio ao Campeonato Brasileiro o técnico Enderson Moreira para o Bahia - agremiação de arrecadação de R$ 136 milhões, 143% superior à do América.

“O América tem patrimônio, sede, estádio e centro de treinamento, mas já batemos no nosso teto. Nosso teto é 70, 80, 90 milhões de orçamento. Por exemplo, fizemos um trabalho de dois anos com o Enderson Moreira. No primeiro, ganhamos a Série B e subimos à Série A. No meio do campeonato, o Bahia pagou a multa, levou o treinador e desmontou um trabalho de dois anos. A multa era 1 milhão. Veio cá e pagou a multa”.

Clube-empresa


De olho no sucesso esportivo em longo prazo, o América investe em serviços de consultoria e busca parceiros para se tornar uma espécie de clube-empresa e competir em alto nível na elite do futebol brasileiro.

“Se você não tiver bala na agulha, vai ficar sempre no mesmo lugar. Se o América aceitar, tudo bem. Só que a gente não aceita. O América quer voltar a ser um dos grandes. O que fizemos? Contratamos a Ernst & Young para trabalhar a governança e a captação do recurso de um investidor. Acho que teremos sucesso”.

Em 2019, conforme Marcus Salum, houve conversas não concretizadas com uma empresa da China. Na visão do dirigente, a organização do clube é o principal atrativo para investidores.

“Tivemos um sinal no ano passado de uma grande empresa chinesa. Chegou a fazer estudos aqui para entrar com recurso grande, mas desistiu do futebol e saiu. Agora nós estamos começando de outra vez de forma mais organizada, fazendo teaser para apresentar no mercado”.

Em 2020, a diretoria do América calculou a previsão orçamentária para R$ 35,6 milhões em receita líquida e R$ 35,3 milhões em custos e despesas. Contudo, os números devem sofrer impacto por causa da paralisação do futebol em meio à pandemia do novo coronavírus.

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