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Investidores buscam nome de consenso para presidir Atlético; veja o que dizem primeiros 'indicados'

Sérgio Sette Câmara já não dá mais certeza sobre a candidatura à reeleição; Sérgio Batista Coelho e Sérgio Zech Coelho foram citados em reunião

postado em 22/09/2020 18:33 / atualizado em 22/09/2020 23:28

(Foto: Divulgação/Arena MRV)

Em meio à disputa do Campeonato Brasileiro, o Atlético viverá nos próximos meses um importante momento político, que culminará com a eleição presidencial na primeira quinzena de dezembro. O próximo presidente eleito estará no comando do clube durante a inauguração da Arena MRV. Sérgio Sette Câmara, que até então se candidataria à reeleição, agora já não dá certeza sobre o futuro no Galo. Outros nomes começam a ser colocados na mesa.

Uma reunião aconteceu na manhã desta terça-feira entre as principais forças políticas do Atlético, entre eles Rubens e Rafael Menin, da MRV, e Ricardo Guimarães, do Banco BMG. Alguns nomes foram citados como ‘apaziguadores’, principalmente depois do racha político entre Sette Câmara e o ex-presidente Alexandre Kalil, prefeito de BH. O comentarista TV Alterosa, Fael Lima, informou que Sérgio Batista Coelho foi um nome indicado para comandar o Galo.

A reportagem tentou contato com Rubens Menin durante a tarde desta terça-feira, mas não obteve resposta.

Sérgio Coelho foi vice-presidente do Atlético nas gestões de Nélio Brant e Ricardo Guimarães. Em sua passagem pelo clube, o alvinegro foi vice-campeão brasileiro em 1999 e inaugurou a Cidade do Galo. 

Em 2004, quando Sérgio Coelho também era o comandante do futebol do Atlético, o clube só escapou do rebaixamento à Série B na última rodada. Depois da vitória contra o São Caetano, no Mineirão, ele deixou o cargo para contribuir com a instituição em outra área. 

Em entrevista ao Superesportes, Sérgio Coelho afirmou que não recebeu nenhum convite para ser candidato à presidência do Atlético. No entanto, ele fica feliz por ter sido lembrado pelas lideranças do clube. 

“Eu não sei dessa reunião que foi feita por pessoas do Conselho. Não estou sabendo de nada. Foi uma surpresa para mim ver meu nome sendo citado na imprensa. Sobre ser candidato, até então sabia que o meu xará, Sérgio Sette Câmara, se candidataria à reeleição. Não sabia sobre o movimento para ter outro candidato, um candidato único, de consenso. Fico feliz por terem citado meu nome, mas não estou sabendo de nada”, disse.

(Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)


Sérgio Coelho, que é dono de uma revendedora de veículos de Belo Horizonte, disse ainda que esse não é o momento de discutir a vida política do Atlético. Ele acredita que isso pode tirar o foco do time em campo e prejudicar a boa campanha no Campeonato Brasileiro. Desta forma, ele pede apoio a Sérgio Sette Câmara.

“Não podemos tomar decisões só com o fator vontade. Eu tenho meus negócios, muitas coisas fora de Belo Horizonte, meu tempo é muito curto. Nem cheguei a pensar. Mas acho que temos que deixar para debater esse assunto perto das eleições. O time está vivendo um momento bom, importante, e a gente tem que evitar de todas as formas prejudicar o momento do Galo dentro de campo. Todos nós atleticanos, principalmente os conselheiros, temos que dar todo o apoio ao presidente e à diretoria para que continuem com esse trabalho que está dando resultado. E a política temos que deixar para debater em novembro, para que não prejudique o time em nada”, completou.

Outro Sérgio


Na conversa realizada entre lideranças do conselho nesta terça-feira, outro nome citado foi o de Sérgio Bruno Zech Coelho, ex-presidente do Minas Tênis Clube e com passagem pela diretoria do Atlético no período em que Ricardo Guimarães foi o presidente.

Em contato com a reportagem, ele afirmou que pode ter sido confundido com Sérgio Batista Coelho e diz não ter interesse em ser o próximo presidente do Atlético. 

“Estive no Atlético na época do Ricardo, quando ele era presidente. Mas foi por pouco tempo. O Sérgio Coelho na época era o vice-presidente de futebol. Então, a confusão deve estar aí. O nome deve ser o Sérgio Coelho que era do futebol na época. Eu não tenho mais ligações com o Atlético. Depois que saí de lá, nunca mais me relacionei com eles lá, apesar de ser amigo do Rubens e do Ricardo. Mas ninguém me procurou, não conversei e, para falar a verdade, não está nos meus planos isso não. Não tenho interesse em ser presidente do Atlético”.

(Foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

Sette Câmara

Desde o ano passado, Sérgio Sette Câmara tinha como intenção a reeleição na presidência do Atlético. Agora, o discurso mudou. Em entrevista à Rádio Itatiaia, ele recuou e afirmou que só será candidato se tiver apoio de todas as pessoas do grupo político que pertence.

“Eu pertenço a um grupo de pessoas que eu respeito muito, admiro, e acho que, para que eu saia efetivamente como presidente, tenho que ter apoio de todos. Se não tiver, não faz sentido nenhum pra mim. Eu não tenho esse egoísmo, já falei que não estou passando pelo Atlético para postular algum cargo político”.

Racha político 


O racha político no Atlético foi exposto no fim do ano passado. Incomodado, Alexandre Kalil não compareceu à eleição para presidência do Conselho Deliberativo, que elegeu Castellar Guimarães, seu aliado, como presidente. 

Kalil deu a entender que não ficou satisfeito com a aproximação de Sérgio Sette Câmara de Ricardo Guimarães, seu grande desafeto político no clube. Além disso, o atual presidente começou a afastar da diretoria pessoas próximas a Kalil. Isso gerou incômodo nos bastidores.

A situação piorou neste ano. Guimarães pediu a Sérgio Sette Câmara a demissão do médico Felipe Kalil, filho de Alexandre. O atual presidente se mostrou contra, assim como Lásaro Cândido da Cunha, vice-presidente, e Castellar Guimarães.

Incomodado com a situação, Felipe Kalil oficializou o pedido de demissão junto à diretoria do clube. Sette Câmara tentou reverter a situação, mas o médico se mostrou irredutível.

O clima esquentou de vez entre Alexandre Kalil e Sette Câmara após o pagamento da dívida pela contratação de Maicosuel, efetuada pelo ex-presidente, em 2014, e quitada por Sérgio, com ajuda de patrocinadores. O atual mandatário criticou constantemente os gastos e falta de responsabilidade do ex-aliado.