CLASSIFICAÇÃO NO TAPETÃO

STJD elimina Aparecidense da Série D do Brasileiro e garante vaga ao Tupi

Clube goiano foi punido com exclusão por causa da invasão de campo do massagista, que evitou gol do Tupi no duelo em Juiz de Fora. Funcionário levou suspensão de 24 jogos

postado em 16/09/2013 22:49 / atualizado em 17/09/2013 00:21

LEONARDO COSTA/TRIBUNA DE MINAS

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva determinou, em julgamento na noite desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, a eliminação da Aparecidense e a consequente classificação do Tupi para as quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Por três votos a um, os auditores do STJD decidiram pela desqualificação da equipe goiana, que também foi condenada a pagar R$ 100 de multa.

Além da eliminação e da multa, a Aparecidense teve o massagista Romildo Fonseca da Silva, chamado de Esquerdinha, pivô da confusão ao evitar, tirando a bola em cima da linha, o que seria o gol da classificação do Tupi, no duelo em Juiz de Fora, também punido. Ele levou suspensão de 24 partidas, pena máxima no artigo que foi denunciado, o 243-A, que fala em ‘atuar de forma contrária à ética com o fim de influenciar no resultado da partida.’ E ainda terá que pagar multa de R$ 500 pelo lance que impediu o clube de Juiz de Fora a comemorar, dentro de campo, a vaga nas quartas de final da Série D.

Com a vitória no tribunal, o Tupi terá como adversário o Mixto-MT na próxima fase da Série D do Brasileiro. Mas o resultado ainda não é definitivo, pois a Aparecidense poderá entrar com recurso para inverter a decisão, em Segunda Instância. O clube goiano tem prazo até esta quinta-feira para recorrer. O árbitro da partida no Radialista Mário Helênio, Arílson Bispo da Anunciação, foi absolvido pelo STJD.

O que determinou a exclusão da Aparecidense na votação dos auditores foi a desqualificação do artigo 243-A para o 205 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: “Impedir o prosseguimento de partida, prova ou equivalente que estiver disputando, por insuficiência numérica intencional de seus atletas ou por qualquer outra forma.” Nesse caso, a pena prevista era de multa de R$ 100 a R$ 100 mil, além da perda dos pontos em disputa a favor do adversário, na forma do regulamento.

A desqualificação do artigo 243-A para o 205 foi requerida pelo advogado do Tupi, Mário Bittencourt, que pediu a eliminação da Aparecidense. Assim, o placar do jogo, que terminou empatado por 2 a 2 depois que o massagista evitou o terceiro gol do clube mineiro, foi alterado para 3 a 1, garantindo ao Galo Carijó a vaga à próxima fase. No primeiro duelo, em Aparecida de Goiânia, houve igualdade em 1 a 1 e os goianos conseguiram a vaga, antes do julgamento, pelos gols marcados fora de casa.

O advogado da Aparecidense, João Vicente Moraes, disse que a eliminação do clube goiano provocou surpresa. Ele anunciou que deverá haver um recurso. “De certa forma surpreende, pois entendo que o artigo 205 não é cabível e não estou sozinho nessa, já que o próprio doutor Paulo Valed Perry – que presidiu a sessão - me acompanhou nesse entendimento. Espero que consigamos reverter esse julgamento no tribunal”, declarou, em entrevista à Rádio Itatiaia.

Já o advogado do Tupi considera que a eliminação da Aparecidense foi uma Justiça. “Ficamos felizes ao ver que o relator passeou por tudo o que defendemos desde o início do processo. Foi feita a Justiça, dentro dos limites do código. Remarcar o jogo seria beneficiar o infrator, dar nova chance a quem tirou a vitória de outra equipe. Devolver o jogo seria uma temeridade”, enfatizou Mário Bittencourt, em entrevista à mesma emissora.

Entenda o caso

O episódio que deu origem ao imbróglio judicial ocorreu no dia 7 de setembro, no duelo da volta entre Tupi e Aparecidense, pelas oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Aos 44 da etapa final, o massagista da equipe goiana invadiu o campo, defendeu a bola duas vezes e evitou o gol de Ademílson, que daria a vitória ao clube mineiro por 3 a 2 e vaga na fase seguinte.

Depois do lance, o massagista fugiu para o vestiário, deixando os jogadores do Tupi enfurecidos. A partida foi então reiniciada pelo árbitro Arilson Bispo da Anunciação, mas terminou empatada por 2 a 2, resultado que eliminou o Galo Carijó da competição.

Reveja o lance bizarro que provocou a confusão


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