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Parceria com irmão gêmeo, passagem pelo Cruzeiro e ascensão rápida: conheça a trajetória de Flávio, novo xodó do América

Volante de 19 anos marcou o gol da vitória sobre o Guarani por 3 a 2

postado em 27/08/2019 08:00 / atualizado em 26/08/2019 20:53

<i>(Foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A Press)</i>
As lágrimas derramadas pelo volante Flávio depois de marcar o primeiro gol em sua estreia como profissional pelo América revelam as facetas de um jovem de origem humilde que começou a vencer no futebol. O belo chute de fora da área feito pelo jogador de 19 anos deu a vitória ao Coelho por 3 a 2 sobre o Guarani, no domingo, no Independência, e aumenta a lista de atletas vindos da base que contribuíram com o time alviverde.

Segundo o jogador, a habilidade em chutar de longe vinha sendo adquirida desde os primeiros treinos com o grupo principal. “É o primeiro gol de muitos, se Deus quiser. Não tenho nem palavras para descrever. Havíamos treinado esses chutes no treino e, na hora que a bola sobrou para mim, lembrei disso”.

Nascido em Novorizonte, cidade de pouco mais de 5,2 mil habitantes, Flávio chegou à capital mineira em 2012 para tentar a sorte no futebol ao lado do irmão-gêmeo, Luís Felipe, que atua como meia. A trajetória de ambos começou no Aqua Ball, uma franquia de formação de atletas carentes que pertence ao Cruzeiro e funciona no Bairro Cidade Nova. Curiosamente, ambos por pouco não tiveram sorte no próprio clube celeste, onde foram aprovados em teste.

“Eles chegaram na nossa escolinha de 12 para 13 anos por intermédio de um primo deles, que havia falado que ambos tinham muito potencial. Ficou treinando com a gente e nós tratamos de conseguir um clube. Ambos conseguiram fazer um teste no Cruzeiro e passaram. Mas o irmão dele, Luís Felipe, sentiu muita falta dos pais e começou a chorar. O pessoal do Cruzeiro me chamou para dizer que não poderia ficar com ele e o dispensou. O Flávio também saiu. Depois, pude indicá-los ao América e ambos novamente passaram. O clube ficou com o Flávio mas não ficou com o Luís Felipe”, afirma Geraldo Magno, um dos sócios da Aqua Ball.

A história dos irmãos logo seguiu em planos separados. Enquanto Flávio entrou no Sub-17 alviverde, Luís Felipe se transferiu para o Palmeiras, onde foi aprovado em seleção e ficou até o ano passado – hoje, ele integra o time Sub-20 do Bahia. “São meninos de interior, mas muito humildes, dedicados e aplicados. Eles levam a vida somente para o esporte. Não bebem refrigerante, só comem coisas que devem. Moraram sozinhos em Belo Horizonte durante seis anos e hoje conseguiram sucesso”, acrescenta Geraldo.

<i>(Foto: Juarez Rodrigues/EM/D. A Press)</i>

De acordo com ele, a infância dos dois não foi fácil, mas nada que prejudicasse o sonho de vencerem no futebol: “O pai dele trabalha na prefeitura como motorista. Eles são de família pobre, mas são batalhadores. É um pessoal que sempre apoiou os dois a jogarem futebol. Aqui, também fiz papel de pai deles, pois consegui escola pública e ajudei em outras coisas”.

No América, Flávio começou como volante no time Sub-17, orientado pelo então técnico Cauan de Almeida, hoje auxiliar dos profissionais. Depois, foi utilizado no Sub-20 como lateral-direito e, posteriormente, deslocado para o meio-campo outra vez. Desde o início do ano, o jogador já vinha sendo observado e treinando com o grupo principal. A partir do momento que Felipe Conceição assumiu a equipe, o jovem começou a ganhar espaço no banco de reservas. “Quando cheguei aqui, o Flávio tinha poder de marcação forte, era muito intenso, mas faltava agressividade. Isso ele foi adquirindo aos poucos. Mas ele sempre teve passe longo muito bom. Víamos que ela tinha essa qualidade. A capacidade de ele sair jogando, domínio são outras virtudes”, afirma Cauan.

Flávio é apenas um dos vários meninos que o Coelho lança no profissional aos poucos. No atual grupo comandado por Felipe Conceição, 60% dos atletas foram formados no próprio clube, que já revelou nomes como Euller, Palhinha, Fred, Gilberto Silva, Danilo e Richarlison. “O América tem o DNA de formar grandes atletas. Fazemos a transição da base para o profissional de forma gradual. Alguns atletas sobem do Sub-20 para o profissional por um período e vice-versa. Ele vai treinando num contexto e vê as necessidades de melhora. Há o diálogo constante com a comissão técnica da base para ver o que deve ser melhorado”, afirma Cauan de Almeida.

O maior problema de um jogador jovem talvez seja lidar com o sucesso meteórico. Na visão do diretor de futebol Paulo Bracks, que trabalhou diretamente com Flávio desde 2017, esse receio não existe: “Ele é um jogador dedicado e muito concentrado. Ele precisava estar apto para quando esse momento chegasse. Acho que essa ascensão não subir à sua cabeça. Ele precisa manter o ritmo nos treinos. Não vamos ter problema nenhum em relação ao fato de subir à cabeça”.

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