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Cruzeiro sofre com atrasos salariais recorrentes e mira venda de jogadores

Clube celeste deve dois meses e meio de vencimentos a atletas e funcionários e quer compensar pendências com dinheiro proveniente de transferências

postado em 10/12/2020 07:00 / atualizado em 10/12/2020 09:00

(Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)
O Cruzeiro completou dois meses e meio de salários atrasados ao deixar de pagar os vencimentos de outubro, novembro e a primeira parcela do 13º. O último depósito integral, referente a agosto, foi feito em 21/10. Seis dias depois, a diretoria quitou 25% da folha de setembro. As pendências recorrentes podem abrir brecha para rescisões indiretas na Justiça do Trabalho, tal como aconteceu no início da temporada, em janeiro, quando atletas como David, Fred e Rafael deixaram a Toca II.

Desde o meio do ano, o Cruzeiro usa o dinheiro de transferências para abater parte dos compromissos com jogadores e funcionários. Em junho, o clube vendeu o zagueiro Edu ao Athletico-PR por R$ 2,5 milhões. Em outubro, aceitou R$ 3,3 milhões do Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, pelo atacante Caio Rosa. Já em novembro, liberou o meia Maurício para o Internacional por R$ 1,2 milhão parcelados mais a contratação de William Pottker com salários pagos pelos gaúchos até março de 2021.

Outro atleta que rendeu dinheiro aos cofres celestes foi o atacante Renato Kayzer. Dos R$ 5 milhões desembolsados pelo Athletico-PR no fim de setembro, o Cruzeiro ficou com R$ 3,5 milhões, o Vasco R$ 1 milhão, e o Atlético-GO, para o qual o jogador de 24 anos estava emprestado, R$ 500 mil.

Quem também poderia sair, porém acabou permanecendo na Toca, é o meia ClaudinhoO presidente Sérgio Santos Rodrigues afirmou ter recusado proposta “cinco vezes maior” ao valor investido na aquisição do jovem de 20 anos, utilizado em apenas dois dos 11 jogos sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari.

“Eu já tive proposta para vender o Claudinho por cinco vezes o que nós pagamos, só que nós não vamos vendê-lo agora, porque a gente sabe que ele vai melhorar”, disse o mandatário ao programa Os Donos da Bola, da TV Band, em 2 de dezembro.

Claudinho foi contratado à Ferroviária-SP por cerca de R$ 3 milhões. O Globoesporte informou que houve uma oferta do Al-Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, de US$ 800 mil - mais de R$ 4,1 milhões. O Cruzeiro fez uma contraproposta, e o clube do Oriente Médio não deu prosseguimento ao interesse.

A direção celeste ainda rechaçou investidas do Portland Timbers, dos Estados Unidos, pelo zagueiro Cacá - R$ 11,3 milhões por 100% dos direitos -, e do Athletico-PR pelo volante Jadsom Silva - R$ 3 milhões por 30% dos direitos.

Orejuela


(Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

A transferência que pode amenizar o aperto financeiro do Cruzeiro é a do lateral-direito colombiano Orejuela, emprestado ao Grêmio até 31 de dezembro. Em 19 de outubro, o Superesportes publicou todos os pormenores do contrato de opção de compra entre os clubes.

A Raposa fixou 50% dos direitos de Orejuela em 3,5 milhões de euros, dos quais foram deduzidos 150 mil euros do empréstimo. O Grêmio, portanto, precisaria pagar 3,35 milhões de euros - R$ 21 milhões, na cotação atual - divididos em oito parcelas trimestrais até o fim de 2022. O valor de cada prestação é de aproximadamente 418 mil euros (R$ 2,66 milhões).


“O que estamos negociando com o Grêmio? Uma forma de pagamento antecipado desse valor, porque é muito importante para nós receber isso antes. Obviamente, com desconto que qualquer banco ou instituição financeira cobraria para adiantar o pagamento. A outra alternativa seria incluir algum atleta, que também estamos discutindo com a diretoria do Grêmio”, afirmou Sérgio Rodrigues, em pronunciamento na TV Cruzeiro no YouTube em 6 de novembro.

Ao Superesportes, o vice-presidente de futebol do Grêmio, Paulo Luz, revelou que há um avanço no processo de permanência de Orejuela em Porto Alegre. “Estamos ainda negociando, avançando no processo. Acredito que vamos chegar a um denominador comum muito em breve”.

Queda de receitas


No balanço financeiro dos cinco primeiros meses de 2020, o Cruzeiro informou ter faturado R$ 54.342.000,00 líquidos - quantia 60% inferior aos R$ 136.157.000,00 apurados no mesmo período de 2019. A queda nos ganhos tem razões óbvias: o rebaixamento à Série B, os efeitos econômicos da COVID-19 no futebol e a ausência de torcedores dos estádios de futebol como medida de prevenção ao coronavírus.

“As receitas do Clube tiveram quedas expressivas no montante de R$ 82 milhões em relação ao ano anterior, sobretudo por conta dos direitos televisivos em função do descenso à Série B e também à queda expressiva das bilheteiras de jogos e clubes sociais devido à pandemia. Vale ressaltar que, em 2019, houve a venda expressiva do atleta Giorgian De Arrascaeta, no valor total de R$ 51 milhões”, diz trecho do demonstrativo contábil.

O retorno à primeira divisão do Campeonato Brasileiro poderia servir como respiro financeiro para o Cruzeiro, porém o time está a nove pontos do G4 (11º, com 35) e tem 5,4% de probabilidade de acesso, conforme o Departamento de Matemática da UFMG. Serão necessárias nove vitórias e um empate nas 11 rodadas restantes para a campanha de 63 pontos.

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